Nas últimas décadas tem se observado o desenvolvimento de um universo expressivo de pesquisas sobre nutrição e envelhecimento, em resposta a questões que emergem de áreas referentes à biologia aplicada, à intervenção clínica e às políticas sociais. Abordando esta área do conhecimento de maneira mais genérica, trazemos através deste post um índice de publicações em formato brochura disponíveis na web, esperando contribuir para a ampliação do debate sobre este tema tão relevante para a saúde e qualidade de vida das pessoas em idade mais avançada.

 

*  *  *

Até que ocorra a elucidação dos segredos mais profundos do DNA, da história evolutiva da nossa espécie e dos processos associados à senescência humana, há certamente um vasto universo a ser percorrido. Sabemos, no entanto, que por não ter raízes e nem ser capaz de realizar a fotossíntese, o homem necessita extrair fontes energéticas e substratos básicos para a sua sobrevivência através dos alimentos, do ar e da água.

Mediante o arsenal de conhecimentos que possuímos até o momento talvez não possamos resolver todas as questões nutricionais que trazem desconforto a uma parcela considerável das pessoas mais idosas. Mas será sempre possível começar pelo compromisso de se dar conta dos aspectos mais óbvios e elementares, pois como disse Goethe: “não basta saber, é preciso também aplicar; não basta querer, é preciso também fazer.”

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I – Subnutrição em um mundo que envelhece

 

A desnutrição crônica atinge atualmente 12,5% da população mundial, correspondendo à existência de uma pessoa subnutrida entre cada oito habitantes do planeta.

Segundo os últimos relatórios das Nações Unidas existem hoje no mundo 870 milhões de pessoas que não conseguem o acesso a uma alimentação básica que lhes permita ter uma vida normal e ativa. A presença de desnutrição é um marcador importante da existência de desigualdades em aspectos referentes à saúde, renda, habitação e proteção social. Ela é considerada o principal fator de risco isolado para a saúde das populações humanas na atualidade, e o maior problema mundial passível de resolução.

Entende-se que o crescimento econômico, embora necessário, não é suficiente para acelerar a redução da fome e da subnutrição. De acordo com os relatórios da ONU são necessárias políticas públicas propositivas mais específicas e mais abrangentes, que visem a prevenção e a redução dos índices alarmantes de desnutrição no mundo. (103) (104)

“…Reduzir a fome é mais do que apenas aumentar a quantidade de alimentos disponíveis,

é também aumentar a qualidade desses alimentos em termos de diversidade,

teor de nutrientes e segurança…” (136)

 

Gráfico: subnutrição no mundo em 2010-12 por região em milhões. (137)

 

A fome crônica é uma condição responsável na atualidade por um número de mortes superior ao daquelas causadas pela AIDS ou pela tuberculose.

Embora este cenário possa nos remeter mais de imediato ao panorama encontrado nas regiões mais pobres do planeta tais como a África Subsaariana, quando se faz um recorte sobre o que ocorre especificamente com as populações mais idosas, o desenho do mapa da desnutrição perde a sua nitidez geográfica e econômica passando a apresentar um caráter mais difuso.

A situação de “Insegurança Alimentar” afetava em 2008 quatro milhões de idosos nos Estados Unidos e cerca de 8% dos domicílios onde residiam pessoas idosas. Este perfil tinha seu predomínio entre camadas sociais menos favorecidas, em indivíduos com sobrepeso e obesidade, em idosos que viviam com os seus netos e entre aqueles que recebiam fornecimento de refeições em domicílio. A “insegurança alimentar” é definida como “uma disponibilidade limitada ou incerta de alimentos nutricionalmente adequados e seguros ou uma limitação ou habilidade incerta para adquirir alimentos aceitáveis de maneira socialmente aceitável”. (106)

“Malnutrition is both

a cause and a consequence of ill-health”. (23)

A alta prevalência de desnutrição nas pessoas idosas constatada a nível mundial, é considerada um problema de Saúde Pública frequentemente negligenciado, mesmo nas regiões que se encontram em níveis mais elevados de desenvolvimento socioeconômico. Nesta faixa etária as causas de desnutrição são de natureza mais complexa e multifatorial, envolvendo de forma interconectada questões de ordem biológica, clínica, mental, social e ambiental. (08) (150)

“Undernutrition is very common amongst the elderly. Risk factors for

protein- energy malnutrition include i) socio-economic factors, such as poverty

and social isolation, ii) psychological and mental factors, such as depression

and dementia, and iii) physical factors, such as impaired mobility, severe visual

deficit, poor dentition, chewing difficulties and somatic diseases (in particular

hyperthyroidism and hyperparathyroidism). In addition, undernutrition in

old age can also be linked to disability (limitations in basic and instrumental

activities of daily life – such as the need for help for shopping and meal

preparation, or feeding assistance). It can therefore be concluded that it

is possible that undernutrition in old age results from interactions between

ageing, social factors, psychological and medical difficulties and environment.”

Jean-Pierre Michel (01)

 

Uma pesquisa realizada recentemente a partir de uma base dados obtidos de vários países através da aplicação da Mini Avaliação Nutricional (MAN), evidenciou uma prevalência média de desnutrição em idosos de 22%, com variações que oscilaram entre os 50.5% observados em unidades de reabilitação e os 5.8% detectados em idosos vivendo na comunidade. Por outro lado os idosos em situação de risco nutricional corresponderam a 46.2% da amostra. Isso sinalizou que 2/3 da população observada apresentava evidências de algum desajuste nutricional. (107)

Esta análise foi obtida através de 24 estudos realizados em 12 países com abrangência dos cinco continentes, tendo sido considerados mais de seis mil indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos. Nesta amostra não houve representação da América Latina nem de países em particular que apresentam índices de pobreza sabidamente mais elevados.

“Over two-thirds of acute Geriatric Medical admissions to hospital and over 50% of

housebound, hostel and nursing home residents have some form of significant

undernutrition. At least 30% of independent community living elderly are

undernourished. 80% of undernutrition goes unrecognised.” (22)

 

Pesquisas apontam que em indivíduos idosos a detecção de risco nutricional tem correlação com o número de síndromes geriátricas pré-existentes, interagindo dessa forma para a cascata de condições fragilizantes.  A presença de depressão, demência, limitação funcional ou comorbidades múltiplas se associa frequentemente a um comprometimento mais significativo do estado nutricional. (108) (106) (89)

Em função da interatividade existente entre desnutrição doença e disfuncionalidade, a detecção de desnutrição tem sido mais elevada na população idosa avaliada em hospitais e em Instituições de Longa Permanência. Em contrapartida, a realização tanto de pesquisas quanto de intervenções nutricionais em pessoas idosas que vivem na comunidade, é de natureza mais complexa. (142)

“Illness is the most important cause of undernutrition in developed countries

and many patients are already undernourished when they are admitted to an institution,

but conditions at hospitals and care institutions may cause undernutrition to occur

or progress during the stay.” (140)

O rastreamento clínico-epidemiológico através de instrumentos simples tais como a “MAN” desenvolvido na Europa, ou o “SCREEN” desenvolvido no Canadá, pode detectar a situação de risco nutricional antes que um processo mais crítico de desnutrição se instale. Mesmo em se sabendo que a desnutrição em idosos tem etiologia multifatorial, recomendações nutricionais específicas podem auxiliar a reduzir a incidência ou a severidade de condições crônicas incapacitantes associadas à idade.        (37) (58) (141) (143)

 

Fonte: Successful Models for Nutrition Screening Of Older Adults” (141

Supõe-se na atualidade, que alguns nutrientes e componentes bioativos existentes nos alimentos, são potencialmente capazes de influenciar a expressão do genoma, possibilitando a melhora das condições de saúde e a prevenção de doenças degenerativas. Nesse sentido a alimentação e a nutrição teriam um efeito modulador sobre as condições de saúde e de doença, através de mecanismos bioquímicos que interconectam fatores ambientais com a expressão genômica. Estes mecanismos são considerados epigenéticos, e embora sejam externos aos genes, induzem uma plasticidade metabólica e comportamental com efeitos fenotípicos, que pode ser transmitida através das gerações. (111) (109) (110) (42)

Isso consiste em compreender que as experiências e o comportamento humano, neste caso, as experiências nutricionais e o comportamento alimentar, podem interferir tanto no destino biológico individual quanto nos destinos da espécie.

 

 

Dentro desse contexto entende-se que a experiência de desnutrição, seja ela causada por deficiência excesso ou desequilíbrio, interfere na expressão gênica, assim como, na estabilidade do genoma, propiciando de forma indireta uma cascata de respostas bioquímicas e metabólicas.

Já é de conhecimento, por exemplo, que questões nutricionais relacionadas à vida fetal ou materna têm alguns reflexos de longo prazo sobre a saúde, estando dentre eles, a composição corporal na vida adulta, o desenvolvimento cognitivo, e a longevidade.   (111) (112) (113) (114) (120) (176)

“Ageing is a lifelong process which begins its course as soon as birth. Several recent epidemiological studies have demonstrated that early-life health and socio-economic environment, during pregnancy, childhood and/or teenage periods may have unexpected significant repercussions

on the health status at midlife and older ages.” (01)

Populações submetidas a stress nutricional prolongado em função de carência alimentar, podem responder posteriormente apresentando uma maior tendência metabólica ao desenvolvimento de adiposidade, ou mesmo, expressando uma mudança das suas preferências alimentares com busca de alimentos mais calóricos. Esses efeitos de modulação tanto metabólica quanto comportamental explicam, ao menos em parte, a epidemia de sobrepeso observada na atualidade em países em desenvolvimento cujo PIB e índices de urbanização vêm se elevando. (111) (112) (115) (120)

 

 

Além de estar em franco processo de “Transição Demográfica”, o Brasil também passa atualmente por um processo de “Transição Nutricional”. Algumas pesquisas já vêm evidenciando um aumento da prevalência de desnutrição por sobrepeso entre os indivíduos idosos da população. (116) (175)

 

*  *  *

A desnutrição na pessoa idosa se relaciona a um “continuum”, dentro do qual, existe um amplo espectro de possibilidades mediadas por processos metabólicos inflamatórios e imunológicos que atuam de forma interativa e retroalimentadora.

Um estado de desajuste nutricional pode coexistir com a presença de um Índice de Massa Corpórea normal ou mesmo elevado. Já a presença de perda involuntária de peso, pode estar relacionada a pelo menos três síndromes metabólico-nutricionais relevantes: a inanição, a sarcopenia e a caquexia, sendo que esta última está habitualmente associada a um componente inflamatório persistente e à presença de patologias de maior impacto para a saúde global. (117) (144)

Nos últimos anos tem sido dada grande atenção a algumas síndromes de maior relevância nesta faixa etária tais como a fragilidade, a sarcopenia, a obesidade sarcopênica e a caquexia, todas diretamente relacionadas a questões nutricionais. A ênfase dada a estas síndromes se justifica por sua interferência na vulnerabilidade clínica e na predisposição à morbidade, com consequências significativas para a qualidade de vida. Para alguns autores esta condição de vulnerabilidade representa um processo dinâmico de “adaptação negativa” aos eventos estressores. (118) (144) (145)

A queda de apetite é uma condição relativamente frequente em pessoas idosas e pode estar relacionada a algumas condições patológicas de base. Em indivíduos com doença de Alzheimer, foi constatada a existência de uma correlação entre um Índice de Massa Corpórea baixo e a presença de atrofia em determinadas áreas do córtex cerebral envolvidas com o controle do comportamento alimentar e do apetite. (140)

Sabe-se que indivíduos mais idosos podem apresentar uma baixa eficiência metabólica para o aproveitamento dos nutrientes ingeridos. Este fenômeno pode ter impactos especiais na síntese proteica e mais particularmente na síntese de proteínas necessárias à preservação do tecido muscular e à eficiência da resposta imune. Em alguns casos ocorre uma verdadeira circunstância de“resistência anabólica” por parte do tecido muscular, e isso pode estar relacionado tanto à idade quanto à lipotoxicidade ou a existência de um estado pró-inflamatório. (14) (146) (147)

Por outro lado, a redução dos níveis de atividade física seja ela relacionada ao estilo de vida, à presença de doenças, ou a condições que limitam a funcionalidade, gera por si só mecanismos metabólicos de adaptação, que têm por consequência a tendência a uma maior turnover proteico com degradação e consumo da proteína muscular, ao aumento da resistência periférica à insulina, ao desenvolvimento de fraqueza progressiva e à desregulação imunológica. (119) (148) (167)

Este ciclo, portanto, acaba por se assemelhar de alguma forma à imagem arquetípica do“Ouroboros”: a serpente que está constantemente engolindo a sua própria cauda em um movimento vital infinito.  (178)

 

Os processos que envolvem os mecanismos biológicos do envelhecimento humano são extremamente dinâmicos e interdependentes, e o mesmo pode ser dito em relação às condições que contribuem para o desenvolvimento de patologias, condições crônicas e incapacidades. A cada dia novas conexões são identificadas nestes processos, sugerindo que se deva desenvolver uma visão mais sistêmica sobre esses fenômenos.

Para exemplificar trazemos o conceito de “metaorganismo”, que incorpora uma visão mais holística do que seja o organismo humano a partir da observação das suas interações com a microbiota que habita o trato digestivo. Para Biaggi e cols, existem conexões relevantes entre um indivíduo idoso a sua microbiota intestinal e o bolo alimentar, relacionadas tanto a um processo de co-evolução entre as espécies, quanto a interferências sobre a resposta imunológica e inflamatória do hospedeiro humano.  Nesse sentido tem sido dada ênfase a pesquisas no campo dos possíveis efeitos benéficos de alimentos nutracêntricos para os indivíduos idosos, mais especificamente, daqueles que apresentam propriedades pró-bióticas. (121) (41) (160)

“The manipulation of the gut microbiota and of the diet,

owing to their immunomodulatory and anti-inflammatory properties,

represents a powerful tool to extend healthy ageing and lifespan”. (122)

Outro conceito interessante formulado nos últimos anos a partir de pesquisas no campo da biologia aplicada refere-se ao “inflamm-aging”. Este modelo teórico pressupõe a existência de um processo inflamatório crônico durante a etapa da velhice humana, relacionado primariamente a mecanismos evolucionários. Esse estado pró-inflamatório de caráter multissistêmico, tem interfaces com algumas síndromes metabólicas e imunológicas condizentes com a vulnerabilidade e a menor resiliência homeostática da pessoa idosa, que interferem por consequência com a sua capacidade adaptativa, inclusive nos aspectos nutricionais. Algumas pesquisas vêm identificando que em indivíduos e populações que atingem uma longevidade extrema, tais como os centenários, ocorre um fenômeno imunológico inverso com características “anti-inflamatórias”. (123) (122) (147) (177)

“Among the different factors that can modulate ageing and inflamm-ageing, nutrition plays a pivotal

and fascinating role. Indeed, nutrition, impinging upon immune system and inflammation, can be a

trigger for both pathogenic and protective processes during the entire lifespan. Accordingly, nutrition is

probably the most powerful and pliable tool that we have to attain a chronic and systemic modulation of

ageing process, towards an enhancement of health status of the elderly population.” (122)

Teorias que trazem reflexões sobre a relação entre os hábitos alimentares e aspectos evolucionários da espécie humana já defenderam até recentemente que a nossa espécie está passando por uma fase de transição e tentativa de adaptação, uma vez que o seu genoma foi moldado ancestralmente em circunstâncias ambientais que demandavam um alto esforço energético para o acesso ao alimento. O estilo de vida mais sedentário observado na atualidade e o uso de alimentos naturais ou industrializados de alta densidade calórica, estariam contribuindo nesta circunstância para uma situação de desajuste na relação demanda-oferta, propiciando o surgimento de situações metabólicas desfavoráveis do ponto de vista evolutivo para a sobrevivência saudável. Este aspecto em particular tem repercussões cotidianas tanto em idades mais jovens, quanto nas fases mais avançadas da vida quando o Índice Metabólico Basal (gasto energético dispensado para o metabolismo basal) é naturalmente menor. (124) (114) (33)

A chamada “teoria da restrição calórica”, embora ainda controversa, foi desenvolvida progressivamente a partir da década de 1930 e trouxe contribuições importantes para a compreensão de alguns processos biológicos de base, relacionados à modulação da senescência e da longevidade.  A teoria demonstrou que mamíferos em idade jovem submetidos regularmente a um stress leve gerado por restrição calórica moderada em sua dieta, respondem com mecanismos metabólicos defensivos e favoráveis à sobrevivência. Esta restrição calórica funcionaria enquanto um sinalizador ambiental, não significando, entretanto, que os níveis desta restrição devam ser potencialmente capazes de causar subnutrição ou que tenham efeito quando aplicados a partir de idades mais avançadas. (138) (125)

 

“Segredo para uma vida longa:

pouca cama, pouco prato, muita sola de sapato.”

 

II- Os enigmas se escondem nas Pirâmides

 

“É a riqueza, e não a escassez quem torna as pessoas famintas”

Dinyar Godrej

(127)

  

A estruturação conceitual da Pirâmide Alimentar para a pessoa idosa desenvolvida em 2007 pela Universidade de Tuffs deu ênfase a alimentos de alta densidade nutricional incluindo em sua base dois outros aspectos fundamentais para a melhor incorporação dos nutrientes: a água e a atividade física regular. (126)

 

(Autor desconhecido)

Fonte: “Modified MyPyramid for Older Adults” (126)

 

Se o estilo de vida pode ser atribuído ao menos em parte às escolhas individuais, o mesmo não pode ser afirmado em relação às condições de vida. Paralelamente à proposta da pirâmide alimentar, pode ser pensada a existência de uma “Pirâmide da Desnutrição”que sinalize entre as suas engrenagens o padrão de injustiça social e desigualdade social ainda prevalente na pós-modernidade, o estilo de vida inativo ou sedentário sócio-historicamente construído e o alimento sendo apresentado enquanto mercadoria sob uma lógica de política de mercado. (111)

 

Proposta para uma “Pirâmide da Desnutrição”

 

“Hace más de 3500 años colapsó en forma repentina el antiguo imperio egipcio, el gobierno central se desmorono y su fracaso fue total, la omnipotencia de los faraones se hundió y todo Egipto conoció una era oscura que abarcó mas de 100 años. Todo el esplendor de um imperio famoso y exitoso

pasó de la estabilidad al caos, de la exuberancia alimentaria a la horrenda hambruana

y de la hartura a la espantosa desnutrición” (176)

Se há mais de três mil anos passados a fome que assolou o Egito dos Faraós pode ter sido ocasionada por fatores ambientais e climáticos de ordem mais natural, diversos fatores ambientais da atualidade são certamente resultantes da decisão e manipulação humana dos recursos disponíveis.

Metade da produção de grãos do planeta é destinada atualmente à alimentação de gado nos pastos. Uma parte considerável da agricultura mundial está sendo redirecionada para a produção de biocombustíveis. Produtos industrializados sofisticados estão tentando cada vez mais substituir os alimentos “in natura”. Preços de insumos básicos são modulados pela bolsa de valores.  De fato, várias mudanças ocorridas após a 2ª grande guerra nos padrões alimentares da população ocidental ou “ocidentalizada”, foram induzidas pelas políticas econômicas e de produção agrícola a nível mundial. (112)

No texto entitulado “A fome em tempos de plenitude”, Dinayr Godrej apresenta algumas considerações bem reflexivas sobre este tema conectando-as a questões referentes à velhice. Para o autor, a humanidade está criando alienígenas “Marcianos” na medida em que o estilo de vida sofisticado está gerando na sociedade um distanciamento ou mesmo uma verdadeira cegueira para a realidade que existe ao redor.  (127)

Além da subnutrição ainda altamente prevalente no mundo, observa-se na atualidade um paradoxo referente à coexistência entre pobreza e obesidade. O jornal The New York Times publicou recentemente uma matéria com este título: In Obesity Epidemic, Poverty Is an Ignored Contagion.” Já a rede CNN deu o seguinte título a uma reportagem sobre este mesmo tema: “Poor and fat: The real class war”. Ao agregar esses dois conceitos, vislumbra-se uma guerra de classes induzindo a uma epidemia contagiosa de desnutrição por sobrepeso nos extratos sociais menos favorecidos, relacionada a uma ingesta desproporcional de alimentos calóricos. Trata-se do chamado“Paradoxo da Desnutrição”. (128) (129) (174)

Finalmente, a terceira pirâmide apresenta de modo genérico e em termos percentuais, o padrão das condições de saúde e funcionalidade em populações mais idosas.  O percentual de indivíduos em situação de maior fragilidade ou vulnerabilidade pode oscilar entre 25 e 40 % da população. Cabe ressaltar neste modelo, que nas regiões onde existem condições socioeconômicas menos favoráveis, os percentuais apresentados em cada nível desta pirâmide se manifestam em faixas etárias inferiores, o que se traduz pela expectativa de vida em presença de incapacidade. (33)

 

 

Partindo do pressuposto de que mecanismos genéticos aliados a circunstâncias ambientais interferem em aspectos que vão da escolha do alimento ao acesso propriamente dito aos alimentos, assim como, nos efeitos nutricionais e metabólicos que determinada alimentação irá deflagrar sobre o binômio “saúde-doença”, inclusive na velhice, entende-se que seja importante incorporar a este discurso as noções de justiça social e ambiental e a dos chamados “direitos fundamentais de terceira geração”.

Por conceito, estes direitos são de natureza coletiva e difusa implicando em uma visão de conectividade mais solidária entre os povos as culturas as nações e as gerações, se contrapondo de alguma forma ao fenômeno da “globalização” que se fundamenta em questões referentes à economia e ao mercado.

Trata-se de direitos relacionados à qualidade da vida, aos valores fundamentais e ao patrimônio em comum do gênero humano. Ainda segundo o filósofo italiano Norberto Bobbio, estes conceitos defendem que caberia à humanidade utilizar o conhecimento já produzido até o momento para “conduzir o processo histórico em benefício de todos”.  Esta visão, portanto, ultrapassa as noções mais específicas do direito individual e coletivo para adentrar pelo campo de questões referentes à própria ética da humanidade.   (131) (154) (155) (156) (157)

“Malnutrition is an important marker for inequalities in health, social care and housing,

between regions and within localities.” (08)

Embora seja inegável que o avanço tecnológico e biomédico tem contribuído de forma substancial para o desenvolvimento de intervenções e terapias nutricionais voltadas para a prevenção e a melhora de distúrbios nutricionais específicos em pessoas idosas, a possibilidade de acesso a uma alimentação básica saudável é uma questão que deve ser lembrada regularmente.

“The message could not be clearer: malnutrition is highly prevalent and leads to poor clinical outcomes. Solutions are available and effective nutritional support improves clinical outcomes

and is cost-effective. The time to act is now.” (10)

 

*  *  *

Os três elementos básicos para uma condição de Segurança Alimentar a qualquer idade são:

a Quantidade Suficiente, a Regularidade de Refeições

e a Qualidade do Alimento.

A alimentação humana é um ato voluntário e em certos aspectos consciente, sendo fortemente influenciado pela cultura, por diversas circunstâncias ambientais e por condições de ordem mais biológica.  Em contrapartida, a nutrição é um processo bioquímico e metabólico de natureza totalmente involuntária e inconsciente. (59)

Os efeitos nutricionais e metabólicos da alimentação na população mais idosa são de natureza biológica bem mais complexa, demandando abordagens especiais no quesito referente à qualidade. Entretanto, toda essa cadeia de eventos necessários à incorporação eficiente de nutrientes, terá sempre o seu início condiçionado pela oferta e pelo acesso ao alimento.

Alguns países já adotam programas regulares de fornecimento de alimentação no domicílio ou em restaurantes comunitários como parte das políticas públicas de segurança alimentar para a população idosa em situação de vulnerabilidade.

Segundo um relatório deste programa nos Estados Unidos, que em 2008 atendia a três milhões de idosos, 73% dos indivíduos atendidos apresentavam risco nutricional elevado e 25% um risco coconsiderado moderado. Neste grupo, 11% dos idosos não tinham acesso ao alimento adequado por questões econômicas, enquanto os demais tinham dificuldades de acesso em função de questões de ordem funcional, clínica ou social. Já em regiões como o Zimbabwe, a insegurança alimentar da população idosa está também relacionada à incapacidade dos idosos para produzirem o seu próprio alimento através do trabalho na agricultura doméstica. (132) (133)

Um estudo de base populacional realizado recentemente no Brasil com base nos dados do PNAD 2004, evidenciou que 29% dos domicílios cujos chefes são idosos apresentavam circunstâncias de insegurança alimentar. Esta prevalência elevada de situação de risco apresentou algumas características de regionalidade ao longo do país, sendo mais crítica nas regiões Norte e Nordeste. Um dos grupos com maior evidência de vulnerabilidade se referiu aos idosos pertencentes aos povos indígenas. (134) (159)

 

“Em comparação com outros países, no Brasil o risco de morrer de desnutrição na velhice

é 71% maior do que nos EUA e 32,13% maior do que na Costa Rica.” (158) 

 

Por outro lado, mesmo em áreas metropolitanas de regiões mais desenvolvidas do país, as questões referentes à alimentação e nutrição em pessoas idosas são desafiadoras. Uma pesquisa transversal e bem abrangente realizada com idosos em uma Instituição de Longa Permanência filantrópica em Minas Gerais, observou que, apesar daquele grupo estar sendo atendido por um programa público de suporte para a insegurança alimentar, havia uma prevalência relevante de risco nutricional, sobrepeso e subnutrição. Estes resultados foram atribuídos, ao menos em parte, à cultura de hábitos alimentares, vivenciada por aquela comunidade.  (139)

Uma publicação de 2012 originada da cidade de Madrid apresentou uma pesquisa referente à elaboração de um cardápio direcionado a idosos, que fosse nutricionalmente saudável e economicamente barato.  Essa pesquisa foi motivada a partir da constatação de que os idosos no país apresentam dificuldades de ordem financeira para ter acesso a uma alimentação adequada. Estimou-se recentemente que a população idosa na Espanha apresenta índices de obesidade sarcopênica que alcançam os 15%.  (149) (35)

*  *  *

Das culturas à espiral do DNA, das macropolíticas às práticas cotidianas, da ciência ao senso comum, o “Ouroboros” traz a sua parcela de contribuição, revelando a interconectividade e interdependência dos processos envolvidos no binômio saúde-doença.

Sob a ótica proposta por Edgar Morin, um defensor do pensamento complexo e atualmente com 92 anos de idade, a ciência moderna precisa transcender as concepções estreitas sobre os fenômenos que pretende observar, uma vez que se torna mais coerente quando consegue ampliar a sua base conceitual. Nesse sentido, um processo de religação entre os diversos saberes pode contribuir para o desenvolvimento de uma compreensão mais profunda, do que possa ser enfim, esse “Homo complexus”. (152) (153) (154)

 

*  *  *

 

 

III-  Mensagens dos Especialistas

 

“La preocupación de los países por el hambre se evidencia en diferentes momentos del tiempo,

partiendo de La “Declaración Universal de Derechos Humanos en 1948”,

la cual reconoce como derecho de la persona el de vivir libre del hambre y de la malnutrición.” (174)

 

 

“As our population grows older, the issue of malnutrition in this age group will have even larger public

health consequences, unless a coordinated action plan is put in place.” (18)

 

“During the past decades, malnutrition has attracted increasing scientific attention and is by now regarded as a true geriatric syndrome characterized by multifactorial causality, identified by symptoms and accompanied by frailty, disability and poor outcome….

…Despite the fact that effective interventions are available, prevention and treatment of malnutrition do not currently receive appropriate attention.” (150)

 

“Certain groups are more at risk of malnutrition, including older people. The causes of malnutrition

in older people are social, economic and clinical. Much of malnutrition is preventable.

Effective and cost-effective interventions exist. These interventions are not only clinical.

For example, social support networks can restore eating as a social activity for older people,

and prevent the social isolation that can often lead to malnutrition.” (10)

 

 

”Malnutrition costs. It costs older people by exacerbating disease, by increasing disability,

by decreasing their resistance to infection, and by extending their hospital stays. It costs

caregivers by increasing worry and caregiving demands. The entire country pays for health

care costs related to this increase in complication rates, increasing hospital stays, and

increasing mortality rates. Malnutrition costs people and it costs dollars.” (135)

 

 

“ Numerous studies have shown that when older persons lose weight, they have a doubling in their risk of death, even when they are overweight.. This is true even in persons who have diseases due to obesity such as diabetes mellitus. Weight loss also increases the chance of an older person having a hip fracture or being institutionalized. There are six major causes of weight loss, namely anorexia, cachexia, malabsorption, hypermetabolism, dehydration and sarcopenia.” (151)

 

 

“The intrinsic defects that develop in the immune system during aging are further intensified by the absolute or relative deficiency in the elderly of several nutrients with known immune-enhancing properties. Therefore, nutritional intervention has been recognized as a practical, cost-effective approach to attenuating age-associated decline in immune function, vaccination efficiency, and resistance to infectious and neoplastic diseases.” (160)

 

 

“• Malnutrition must be actively identified through screening and assessment;

• Malnourished individuals and those at risk of malnutrition must have appropriate care pathways;

• Frontline staff in all care settings must receive appropriate training

on the importance of good nutritional care;

• Organisations must have management structures in place to ensure best nutritional practice.” (19)

 

“An algorithm for managing undernutrition has been developed. It focuses early on in offering food choices and high calorie food after which caloric supplements can be considered. It highlights the need to focus on diagnosing and treating treatable causes of protein energy wasting. The basis of the management of undernutrition is to provide adequate food.” (151)

 

 

“…The risk and prevalence of malnutrition increases with age. Solving the problem of malnutrition among older people is not only a public health imperative; it could also yield important economic benefits. Finding solutions in the community is more complex than within a ‘closed’ hospital

or clinical setting – it requires gathering a broad array of stakeholders, getting different professionals

to work together and speak the same language.

…malnutrition is a prime candidate for such joint thinking: its roots are social as well as clinical, and addressing it requires solutions that span across the social and health fields. The critical and growing role played by the voluntary sector, community service providers, and informal carers

must also be taken into consideration in any proposed solutions…” (08)

 

“To accelerate hunger reduction, economic growth needs to be accompanied by purposeful and decisive public action. Public policies and programmes must create a conducive environment for pro-poor long-term economic growth. Key elements of enabling environments include provision of public goods and services for the development of the productive sectors, equitable access to resources by the poor, empowerment of women, and design and implementation of social protection systems. An improved governance system, based on transparency, participation, accountability, rule of law and human rights, is essential for the effectiveness of such policies and programmes.” (104)

*  *  *

IV- Publicações sobre Alimentação e Nutrição na pessoa idosa

 

“…da percepção à teoria científica, todo conhecimento é uma reconstrução/tradução por um espírito/cérebro, em uma cultura e em um tempo determinados…”

(Edgar Morin in: 153)

 

Partindo de alguns aspectos “macro” de ordem econômica política e social e bisbilhotando pelo universo de elementos “micro”, relacionados à alimentação nutrição saúde e longevidade da pessoa humana, trouxemos um texto introdutório de contextualização para este post, tendo por objetivo central a apresentação de algumas publicações disponíveis na web sobre esta temática.

Trata-se de uma coleção com 105 brochuras em formato eletrônico, composta por manuais, guias, relatórios, documentos técnicos, cartilhas, etc, que abordam o tema através de enfoques diversos.

Caso alguma destas publicações não se encontre mais disponível através do site de origem indicado, poderá ser acessada a partir dos arquivos internos do gerontologiaonline mediante solicitação por e-mail.

Esperamos que estas indicações sejam de bom proveito!

 

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01/3348 – Nutrition – Ageing and Longevity

02/3357 – HANDBOOK OF CLINICAL NUTRITION AND AGING

03/1903- Evaluación y Control Nutricional Del Adulto Mayor en Primer Nivel de Atenció

04/1906- MANUAL DE RECOMENDACIONES NUTRICIONALES EN PACIENTES GERIÁTRICOS

05/1642- Nutritional support strategy for protein-energy malnutrition in the elderly

06/1912- Improving Outcomes in CHRONIC DISEASES WITH SPECIALIZED NUTRITION INTERVENTION

07/2610-  Sarcopenia: consenso europeo sobre su definición y diagnóstico. Informe del Grupo europeo de trabajo sobre la sarcopenia en personas de edad avanzada

08/3329- Malnutrition among Older People in the Community. Policy Recommendations for Change

09/ 3324- A review and summary of the impact of malnutrition in older people and the reported costs and benefits of interventions

10/3331- Malnutrition within an ageing population: a call for action

11/3338- CONSENSO NACIONAL DE NUTRIÇÃO ONCOLÓGICA. VOLUME II

12/ 0313- I Consenso Brasileiro de Nutrição e Disfagia em Idosos hospitalizados

13/ 1419- NUTRICIÓN EN EL ANCIANO FRÁGIL.

14/ 0094- The Role of Nutrition in Accretion, Retention, and Recovery of Lean Body Mass

15/ 0339- EUROPEAN COMMISSION. Nutrition & ageing workshop

16/ 0920- Alimentação saudável para a pessoa idosa. Um manual para profissionais de saúde

17/0008-  Keep fit for life. Meeting the nutritional needs of older persons

18/ 1919- Nutrition and Health in an Ageing Population

19/1877- Malnutrition Matters- Meeting Quality Standards in Nutritional Care

20/ 3323- NICE support for commissioners and others using the quality standard on nutrition support in adults

21/3358 – Nutrition and Healthy Aging in the Community: Workshop Summary

22/2387- Nutritional Care of the Housebound Elderly

23/2385- Nutrition Support for Adults. Oral Nutrition Support, Enteral Tube Feeding and Parenteral Nutrition

24/ 2050- PUESTA AL DÍA SOBRE ANCIANO Y NUTRICIÓN

25/1174- MANUAL DE RECOMENDACIONES NUTRICIONALES EN PACIENTES GERIÁTRICOS

26/1644- Effectiveness of interventions to promote healty eating in elderly people living in the community: a  review

27/1918- Nutritional care in old age: the effect of supplementation on nutritional status and performance

28/ 1902- Manual de atención AL ANCIANO DESNUTRIDO en el nivel primario de salud

29/ 3366 – Terapia Nutricional para Pacientes na Senescência (Geriatria)

30/ 2388- Post-discharge nutritional support in malnourished ill elderly patients. Effectiveness and cost-effectiveness

31/ 1391- El anciano frágil

32/2609- Prevención, Diagnóstico  y Tratamiento del Síndrome de Fragilidad en el Anciano

33/3380- Good Food for Healthy Ageing

34/3372-Managing Adult Malnutrition in the Community

35/1449 – Guía de buena práctica clínica en estado nutricional y productos lácteos en la tercera edad

36/1909- The Role of Nutrition and Functionality in Ageing

37/1911-The MNA® revisited: what does the data tell us?

38/1929- EURONUT-SENECA STUDY ON NUTRITION AND THE ELDERLY IN EUROPE: FORMULATIONS

39/1908- Impacting Outcomes With Nutrition

40/2569- Retos de la nutrición em el siglo XXI ante el envejecimiento poblacional

41/3370- Older people and functional foods

42/3335- Epigenética e nutrição

43/ 3322- Malnutrition in Later Life:Prevention and Early Intervention Best Practice Principles & Implementation Guide. Care Homes

44/ 3325- Malnutrition in Later Life: Prevention and Early Intervention Best Practice Principles & Implementation Guide. Hospitals

45/ 3326- Malnutrition in Later Life: Prevention and Early Intervention Best Practice Principles & Implementation Guide. A Local Community Approach

46/3371-Nutritional care in old age: the effect of supplementation on nutritional status and performance

47/ 3346- Elderly Nutrition Program. Policies and Application Instructions

48/ 1913- Pressure ulcer prevention and treatment: The relationship between lean body mass, nutrition, and healing

49/3340- NUTRICIÓN DEL ANCIANO

50/1928- Estado nutricional, insatisfação em relação ao peso atual e comportamento relacionado ao desejo de emagrecer na cidade de São Paulo

51/3330- The Psycho-Social Aspect of Malnutrition and Seniors

52/3359- Nutrição para Idosos

53/2386- EVALUATION REPORT FOR THE ‘NUTRITION FOR ONE OR TWO’ PILOT FOR COMMUNITY DWELLING FRAIL AGED PEOPLE LIVING IN SOUTH EAST QUEENSLAND FINAL REPORT

54/3379 – Older People Living in the Community – Nutritional Needs, Barriers and Interventions: a Literature Review

http://www.scotland.gov.uk/Resource/Doc/294929/0091270.pdf

 

55/3343- Family Economics and Nutrition Review – Special Issue- Elderly Nutrition

56/3349- Healthy Mouth, Healthy Ageing. ORAL HEALTH GUIDE FOR CAREGIVERS OF OLDER PEOPLE

http://www.healthysmiles.org.nz/assets/pdf/HealthyMouth,HealthyAgeing.pdf

57/3360- ORAL HEALTH IN AGEING SOCIETIES: INTEGRATION OF ORAL HEALTH AND GENERAL HEALTH

http://whqlibdoc.who.int/publications/2008/9789241594501_eng.pdf

58/ 0208- Avaliação do Estado Nutricional de Idosos

http://www.nestle-nutricaodomiciliar.com.br/Files/documentos/AVALIACAO%20EST%20NUT.pdf

59/ 1904- NUTRICIÓN Y VALORACIÓN DEL ESTADO NUTRICIONAL EN EL ANCIANO

http://ccp.ucr.ac.cr/bvp/pdf/vejez/matia-nutricion_y_valoracion.pdf

60/ 1176- VALORACIÓN NUTRICIONAL EN EL ANCIANO

61/ 1935- A guide to completing the Mini Nutritional Assessment – Short Form (MNA®-SF)

64/ 3278- HIDRATACIÓN EN LAS PERSONAS MAYORES

65/ 1920- MALNUTRITION AND DEHYDRATION IN NURSING HOMES: KEY ISSUES IN PREVENTION AND TREATMENT

66/ 2579-Guidelines to Effective Hydration in Aged Care Facilities

67/3351- Patient safety and nutrition and hydration in the elderly

68/3352- Promoting nutrition in care homes for older people

69/3345- Manual de planificación de dietas en centros sociosanitarios

70/1932- Nutrition and Nutritional Care of Elderly People in Finnish Nursing Homes and Hospitals

71/3376- Post-discharge nutritional support in malnourished ill elderly patients. Effectiveness and cost-effectiveness

72/3327- CALCIUM, VITAMIN D AND OSTEOPOROSIS. A Guide for Pharmacists

73/3344- Calcium & Vitamin D Nutrition in the Elderly

http://ocw.tufts.edu/data/18/303785.pdf

74/0182- Mantenerse en forma para la vida: necesidades nutricionales de lós adultos mayores

75/0186- Alimentación y Alzheimer. Recomendaciones para hacernos mayores de manera activa y saludable.

76/0502- Sabor y Salud. Taller de alimentación saludable para personas mayores

77/1447- Nutrición y cuidados del adulto mayor. Recomendaciones para una alimentación saludable

78/1814- Eating well for older people

79/2142- Eating well: supporting older people and older people with dementia. Practical guide

80/2350- What’s On Your Plate? Smart Food Choices for Healthy Aging

81/3336 – Alimentação Saudável. Sempre é tempo de aprender

82/3341- Guíade ALIMENTACION para PERSONAS MAYORES

83/3350-Nutrition Guidelines for Older People

84/3362- GUÍA de BUENA PRÁCTICA CLÍNICA para una alimentación cardiosaludable

85/1905- REQUERIMIENTOS NUTRICIONALES EN LA TERCERA EDAD

86/3374- Food and Nutrition Guidelines for Healthy Older People

87/3373- Enhancing nutritional care

88/0473- A physician’s guide to NUTRITION IN CHRONIC DISEASE MANAGEMENT for older adults

89/1921- Malnutrition in the Older Adult

90/3375- DIETA, NUTRICIÓN Y PREVENCIÓN DE ENFERMEDADES CRÓNICAS

91/1923- DIET, NUTRITION AND THE PREVENTION OF CHRONIC DISEASES

92/1933- Nutritional support strategy for protein-energy malnutrition in the elderly

93/2001- Estrategia mundial sobre régimen alimentario, actividad física y salud

94/2011- Global Strategy on Diet, Physical Activity and Health

95/2007- Fruit and vegetables for health : Report of a Joint FAO/WHO Workshop, 1-3 September, 2004, Kobe, Japan.

96/2009- Effectiveness of interventions and programmes promoting fruit and vegetable intake

97/1934- The Nutrition Safety Net * Help for the Elderly and Disabled

98/1926- Food safety for older adults

99/1927- Older Americans Act – Nutrition Programs Toolkit

100/3347-Food security and livelihoods interventions for older people in emergencies

101/3355- Senior Nutrition Program Annual Report

102/3356- Recommendations for a national food and nutrition policy for older people

103/3333- THE STATE OF FOOD AND AGRICULTURE – FAO

104/3334 – The State of Food Insecurity in the World

105/3377- Global nutrition policy review. What does it take to scale up nutrition action?

 

*  *  *

Links externos relacionados

106- Challenges and New Opportunities for Clinical Nutrition Interventions in the Aged

107- Frequency of Malnutrition in Older Adults: A Multinational Perspective Using the Mini Nutritional Assessment

108- Malnutrition in the elderly and its relationship with other geriatric syndromes

109- Epigenetics: A New Bridge between Nutrition and Health.

110- Nutritional influence on epigenetics and effects on longevity

111- Aging and Longevity: Why Knowing the Difference Is Important to Nutrition Research

112- NOW AND THEN: The Global Nutrition Transition: The Pandemic of Obesity in Developing Countries

113- NUTRITION: A PARADIGM SHIFT IN AGING CONCEPT?

114- Evolution of the human lifespan and diseases of aging: Roles of infection, inflammation, and nutrition

115- Nutrigenetics and Nutrigenomics: Viewpoints on the Current Status and Applications in Nutrition Research and Practice

116- Estado nutricional e condições de saúde da população idosa brasileira: revisão da literatura

117- Loss of skeletal muscle mass in aging: Examining the relationship of starvation, sarcopenia and cachexia

118- Consensus definition of sarcopenia, cachexia and pre-cachexia: Joint document elaborated by Special Interest Groups (SIG) ‘‘cachexia-anorexia in chronic wasting diseases’’ and ‘‘nutrition in geriatrics’’

119- Dietary protein recommendations and the prevention of sarcopenia. Protein, amino acid metabolism and therapy

120- Birth cohort differences in anthropometric measures in the older elderly: the Bambuí cohort study of aging (1997 and 2008)

121- Aging of the human metaorganism: the microbial counterpart.

122- Inflamm-ageing

123- Understanding how we age: insights into inflammaging

124- Diet, evolution and aging. The pathophysiologic effects of the post-agricultural inversion of the potassium-to-sodium and base-to-chloride ratios in the human diet

125- Toward a unified theory of caloric restriction and longevity regulation

126- Modified My Pyramid for Older Adults

127- Hunger In A World Of Plenty

128- In Obesity Epidemic, Poverty Is an Ignored Contagion

129- Poor and fat: The real class war

130- Nutritional Recommendations for the Management of Sarcopenia

131- Direitos de Terceira Geração e Cidadania

132- Elderly Nutrition Program

133- Enhancing Social Support System for Improving Food Security Among the Elderly Headed Household in Communal Areas of Zimbabwe

134- Segurança alimentar em domicílios chefiados por idosos, Brasil

135- Old Age Hunger in the United States

136- Quase 870 milhões de pessoas no mundo estão subnutridas – novo relatório sobre a fome

https://www.fao.org.br/q870mpmesnrsf.asp

137- Hunger Portal

138- Epigenetic regulation of caloric restriction in aging

139- Nutritional Status and Associated Factors in Institutionalized Elderly

140- Nutritional status among older residents with dementia in open versus special care  units in municipal nursing homes: an observational study

141- Successful Models for Nutrition Screening Of Older Adults

142- Home-Living Elderly People’s Views on Food and Meals

143- SCREEN: Seniors in the Community Risk Evaluation for Eating and Nutrition

144- Malnutrition, fatigue, frailty, vulnerability, sarcopenia and cachexia: overlap of clinical features.

145- Is sarcopenia the best determinant of frailty?

146- Role and potential mechanisms of anabolic resistance in sarcopenia.

147- Chronic low-grade inflammation and age-related sarcopenia

148- Skeletal muscle loss: cachexia, sarcopenia, and inactivity.

149- Planificación alimenticia en personas mayores: aspectos nutricionales y econômicos

150- Malnutrition in Older Adults – Urgent Need for Action: A Plea for Improving the Nutritional Situation of Older Adults

151- Undernutrition in older adults.

152- Considerações de Edgard Morin e a teoria de saúde e doença

153- A complexidade e a religação de saberes interdisciplinares: contribuição do pensamento de Edgar Morin

154- Ética em Saúde: complexidade, sensibilidade e envolvimento

155- Os Direitos Humanos na Idade Moderna e Contemporânea.

156- CONSIDERAÇÕES SOBRE OS DIREITOS TRANSINDIVIDUAIS

157- Bobbio e a Era dos Direitos

158- Avaliação do idoso desnutrido

159- EDUCAÇÃO EM SAÚDE COM ABORDAGEM TRANSCULTURAL: o padrão alimentar do idoso indígena

160- The role of nutrition in enhancing immunity in aging.

161- Aging and longevity: why knowing the difference is important to nutrition research.

162- As conseqüências das deficiências nutricionais, associadas à imunossenescência, na saúde do idoso

163- Carências nutritivas no idoso

164- La nutrición del anciano como un problema de salud pública

165- Nutrition and Aging: Changes in the Regulation of Energy Metabolism With Aging

166- Linking Nutrition, Maturation and Aging: From Thrifty Genes to the Spendthrift Phenotype

167- Sarcopenia with limited mobility: an international consensus.

168- Sarcopenia: A useful paradigm for physical frailty

169- ICSR 2012- International Conference on Sarcopenia Research

170- FRAILTY: A Report from the 3 rd Joint Workshop of IAGG/WHO/SFGG, Athens, January 2012

171- Nutrition and Healthy Aging in the Community: Workshop Summary.

Institute of Medicine (US) Food and Nutrition Board. Successful Intervention Models in the Community Setting

172- Nutrition in Severe Dementia

173- Determinantes del riesgo de desnutrición en los adultos mayores de la comunidad: análisis secundario del estudio Salud, Bienestar y Envejecimiento (SABE) en México

174- La paradoja de la malnutrición

175- La malnutrición en los países en vías de desarrollo: un cambio de apariencia

176- Desnutrición y cerebro

177- Genetics of longevity. data from the studies on Sicilian centenarians

178- Ouroboros

*  *  *

 

A partir desta aula apresentada por José Francisco Parodi  estaremos trazendo à  reflexão algumas questões  sobre  a necessidade  de formação de recursos humanos direcionados  à assistência geriátrica e gerontológica.

Em sua apresentação , o autor traça um panorama sobre a situação  da América Latina quanto à capacidade instalada de recursos humanos qualificados e direcionados à assistência à saúde das pessoas idosas , com maior ênfase no que se refere à formação de profissionais da área médica.

 

 

Segundo o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, DESA-DSDP, o mundo tem atualmente 700 milhões de pessoas idosas ( 57) e dois terços desta população vivem nos países que se encontram em processo de desenvolvimento.

 

Em 2002, foi realizada em Madrid a II Assembléia Mundial sobre o Envelhecimento sob a promoção das Nações Unidas ( 55 ). O Plano de Ação resultante desta Assembléia tem por base o desenvolvimento de estratégias específicas em três áreas prioritárias:

 

1- Pessoas Idosas e Desenvolvimento
2- Avanços na área da Saúde e Bem Estar das Pessoas Idosas
3- Garantia  de Ambientes  Capacitantes e Suportivos para as Pessoas Idosas.

Neste trecho da apresentação é ressaltado um texto do plano de Ação elaborado  pela Assembléia de 2002,  e que  propõe  uma necessidade urgente de formação de recursos humanos  em caráter bem amplo.

Entretanto, o guia para implementação do plano de Madrid publicado pela ONU  em 2010 (56) , ou seja, oito anos após a realização  da Assembléia Mundial, ainda se refere à uma situação de carência na formação de recursos humanos especializados na área assistencial à saúde da população idosa.

Para quem é profissional da área assistencial em Saúde, ou mesmo, para quem já se encontra em idade mais avançada e demanda suporte  através de serviços mais adequados, fica a  sutil impressão, de que a palavra  “urgência” tão utilizada em diversos documentos que tratam desta matéria, se refere à alguma Unidade de Tempo  ainda desconhecida e não  contemplada por nossos relógios ou calendários mais tradicionais.

Quantos Profissionais são necessários ?

Ao longo de sua apresentação José Francisco Parodi  alerta que  segundo os dados coletados em diversos países da América Latina, ainda são muito poucas as faculdades de medicina que oferecem  formação geriátrica em sua grade curricular a nível de graduação. Por outro lado o autor  também expõe alguns dados ,que demonstram que é possível  a ocorrência de uma mudança de visão em alunos  da graduação após terem vivenciado  algum treinamento no campo geriátrico.

J.F. Parodi também critica, assim como outros autores que pesquisam este tema, a qualidade da formação oferecida, ressaltando  as  iniciativas  direcionadas à “formação dos formadores” e a proposta da Academia Latinoamericana de Medicina del Adulto Mayor (ALMA). Esta organização é  direcionada à qualificação de recursos humanos voltados para  a atividade docente na região da América Latina e do Caribe , e vem atuando desde 2003 através da realização de cursos temáticos.( 41) (42)

Na Europa, uma organização  transnacional que atua em rede, desenvolve atividades desta natureza desde  1996. Trata-se da European Academy for Medicine of Ageing (EAMA), sediada na Suiça. (51) No Oriente Médio, existe a  Middle East Academy for Medicine of Ageing (MEAMA) que está realizando o seu curso de 2010-2012 na cidade de Dubai.

 

A carência numérica de professores nesta área, é uma outra questão a considerar , e foi levantada em 2004 em artigo publicado pelo geriatra Espanhol José Manuel Ribera Casado, presidente da Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia
(SEGG) naquela ocasião. ( 01)


 Sob o titulo bem humorado “Profesores de geriatría: ¡se buscan!” , Casado homenageou o artigo publicado em 2000 por Robert Butler : “Wanted: Teachers of geriatrics – A national initiative is needed to train all doctors in the care of older patients” (55 ) .

O autor  comenta que , mesmo  em se sabendo que em breve a maioria dos médicos  em geral terão que dedicar uma boa parte do seu tempo  ao atendimento a pacientes idosos, em  2004  havia apenas uma única Cátedra de Geriatria entre todas as faculdades de Medicina  na Espanha.

Somente 6  faculdades médicas contavam com um professor  efetivo de geriatria, que nem sempre era titulado na especialidade.

 

 

***

 

Uma das explicações para a situação de “quase inércia “ observada internacionalmente quanto à demanda urgente para a formação de recursos humanos na área,  estaria relacionado  à  uma “Síndrome de Peter Pan”.

Segundo  um relatório da “Alliance for Aging Research” publicado em 2002, (38) o inconsciente coletivo da população Norte americana  tenderia a se comportar  como  “Peter Pan e a sua busca da Terra do Nunca”.

 

De acordo com esta hipótese , haveria uma certa negação coletiva de que a velhice está chegando de fato para  uma parcela significativa da população,  e,  trazendo conjuntamente , demandas por  uma assistência diferenciada em Saúde.

Uma das consequências desta negação  seria traduzida pela carência  numérica de profissionais, apesar de todas as previsões demográficas e  alertas epidemiológicos que vem se configurando nos últimos anos.

O final desta história, que neste caso , não se trata de um conto infantil onde todos  serão “ felizes para sempre”, é uma assistência de baixa qualidade e alto custo (43),  e uma potencialização da espiral de incapacidade entre as pessoas idosas.

Neste documento  estima-se que para o atendimento aos 35 milhões de Americanos idosos existentes na ocasião, seriam necessários 20.000 médicos geriatras no país, o que equivaleria  a uma relação geriatra/habitante  idoso de  1: 5.700. Dentre estes profissionais estimou-se também uma necessidade de  2.400 geriatras acadêmicos  voltados para a formação profissional e o desenvolvimento de padrões de qualidade assistencial. Neste último caso a relação seria de
1: 68.800 habitantes idosos.

 

Vale comentar que dentro do sistema de Saúde Norteamericano, a Geriatria é considerada uma subespecialidade clínica, não fazendo parte das áreas que prestam assistência na atenção básica em Saúde. ( 39 ) Essas previsões portanto não excluem a necessidade de  formação básica em saúde do Idoso durante a graduação dos profissionais  da área  Médica e das demais áreas da Saúde , para atuação tanto na atenção básica quanto nos níveis de maior complexidade.

Em 2008 foi divulgada uma publicação da Costa Rica que apresenta o planejamento estratégico  de curto e médio prazo para a área de recursos humanos em Geriatria e Gerontologia: “Necesidades de Especialistas en Geriatría y Gerontología para la Caja Costarricense de Seguro Social  (Formación y Dotación) . Proyección 2008-2025.”

Na Costa Rica , o segmento  idoso representa  atualmente  cerca de 5,5 % da população total do país. Este estudo foi realizado para atender à legislação  referente à política para as pessoas idosas,  que considera um dever do Estado, tanto a efetivação de serviços Geriátricos quanto a capacitação de recursos humanos
( 53  )

 

 

 O documento (04) é baseado  em uma pesquisa quali-quantitativa  ampla, com utilização de fontes diversificadas de informação. São avaliadas as necessidades  e as demandas assistenciais na área de  abrangência, utilizando-se diversas variáveis para desenvolver as projeções para uma cobertura adequada de recursos humanos.

Apesar de não haver qualquer norma de consenso nesse sentido, a Costa Rica segue um padrão adotado pelo Reino Unido e pela Espanha, no qual se estabelece a necessidade de 1 médico Geriatra para cada 5.000 habitantes com 60 anos ou mais.

 

 

  O país está envelhecendo rápidamente, e  em 2004 realizou uma avaliação detalhada do perfil da sua população  mais idosa. (53)

Vale comentar a título de ilustração, que  a Costa Rica ocupava recentemente o 1º  lugar no Ranking de “Satisfação de Vida”  e de “Democracia” na América Latina, além de  se encontrar em  uma situação de desenvolvimento social  e tecnológico relativamente  avançado para a região.

 

***

 Atenção Básica ou Especializada?

Em uma publicação de 2009, Jose Francisco Parodi defende as estratégias direcionadas à Atenção Primária em Saúde, lembrando que este sistema foi o responsável pela melhoria de indicadores de saúde na Europa , observada nas últimas décadas, e pelo aumento na satisfação percebida pelos usuários. ( 40 )

 

  Dentro desta discussão, J.F. Parodi

apresenta a idéia de uma Atenção Primária
Renovada que inclua a assistência
qualificada à população mais idosa ,

e que se baseia em parte, na aquisição de
novas competências pelos profissionais
que atuam nesta rede.

 

 

Para isso, seria necessário um investimento conjunto na formação a nível de graduação, pós graduação e educação continuada, de tal forma, que o desenvolvimento de competências para uma assistência às pessoas idosas fosse amplamente difundido.

Quanto à possibilidade de  uma grade curricular  básica para a graduação médica, J.F. Parodi  referencia  um artigo publicado na Revista “Panamerican Journal of Public Health” em 2005, no qual especialistas de diversos países que incluem a representação da OPAS, apresentam uma proposta para o desenvolvimento de ações específicas na América Latina. ( 03 )

Neste artigo é defendido um modelo de raciocínio lógico para a realização diagnóstica e a abordagem de intervenção, que se fundamente nos conceitos de funcionalidade. Para os autores, o modelo simplista baseado  em um raciocínio  unidirecional de “causa-efeito” das doenças, não faria mais sentido perante o contexto multidimensional das questões de ordem mais crônica.

Defende-se também a utilização de

métodos didáticos participativos
e problematizadores .

 Auxiliar o aluno

a “aprender a aprender” é um dos

processos envolvidos na proposta.

 

Mais uma vez é dado um alerta quanto a questão “tempo”, sugerindo que a América Latina aproveite o momento demográfico e epidemiológico  que se processa na região , e que está oferecendo  atualmente uma “Janela de Oportunidade” favorável  à implementação de investimentos na área. (43) (44) (45)

 No se debe dejar pasar el tiempo y esperar a que la fracción de la población constituida por personas de edad se acerque al 15%.

Ahora es el momento de introducir los cambios y de emprender la formación de la fuerza sanitaria que habrá de procurarles la salud, el bienestar y una mejor calidad de vida a los adultos mayores de la próxima década.

Se debe aprovechar la “ventana” de oportunidad de que disponen los países de la Región por estar en la primera fase de la transición demográfica.” (03)

 

 

 

 

Segundo  José Eustáquio Diniz Alves, professor titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas e coordenador da pós-graduação do IBGE:

 

“O Brasil e a América Latina encontram-se em uma fase intermediária da transição demográfica, com efeitos positivos tanto em relação aos países desenvolvidos, quanto em relação aos países muito menos desenvolvidos, o que pode representar uma grande vantagem competitiva para o desenvolvimento econômico e social da Região. “ (45)

“…A partir de 2025- 2030 a Janela de Oportunidade demográfica começará a se fechar para o Brasil, pois as vantagens do Bônus Demográfico começam a diminuir, mas sem perder totalmente os seus benefícios….Assim como nos demais países do mundo, a transição demográfica só acontece uma vez e somente uma vez se abre a Janela de Oportunidade demográfica….”  (45)

“A sociedade brasileira pode se beneficiar do inédito Bônus Demográfico se as políticas públicas forem capazes de criar acesso universal à educação, à saúde
e ao emprego, em um ambiente de segurança e cooperação, para que a produção
e a produtividade do trabalho possam impulsionar o desenvolvimento e garantir uma sociedade com níveis elevados de bem-estar. O futuro se constrói no presente
e a hora é agora para se aproveitar as excepcionais condições demográficas do país.”  (45)

Outro ítem abordado na apresentação de J.F. Parodi, se refere à importância do “Trabalho em Equipe “.

Um livro encaminhado para o nosso site pelo autor , apresenta uma iniciativa muito interessante promovida pelo Help Age International e pela Associação Pro-Vida Peru,  com apoio do Ministério da Saúde do Perú. (47)

Neste manual encontra-se um roteiro teórico – prático para o desenvolvimento de processos de capacitação de equipes interdisciplinares, com explicações detalhadas, exercícios,  e muitas ilustrações. O documento é de livre acesso  e foi disponibilizado através do site da FACULTAD DE MEDICINA HUMANA –UNIVERSIDAD DE SAN MARTIN DE PÓRRES – Lima. (46) (48)

A  importância da formação e do trabalho em equipe  interdisciplinar, não é um aspecto exclusivo  da assistência Geriátrica e Gerontológica. Em Dezembro de 2010 a revista “The Lancet” publicou um artigo e uma brochura intitulados
Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world”. ( 49) (50).

 

Os dois documentos foram elaborados por uma equipe internacional ampla e independente, encabeçada pelo nome  de Julio Frenk , professor da Escola de Saúde Pública de Harvard, ex-ministro de Saúde do México e colaborador da OMS.

O trabalho foi fruto de pesquisas realizadas em diversos países,  e apresenta propostas condizentes com a nova realidade epidemiológica que emerge no Terceiro Milênio .

É dada ênfase à capacitação dos profissionais de Saúde dentro de um modelo que valorize  a interdisciplinaridade, a transversalidade, a humanização e as demandas dos usuários.

Sob esta mesma linha de raciocínio, e tomando por referencial teórico o modelo  biopsicosocial proposto por Engel, Luciana Branco da Motta e Adriana Cavalcanti de Aguiar , da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, publicaram um artigo em 2007 onde é feito um alerta quanto  à necessidade de  se ampliar a contribuição da gerontologia na formação dos profissionais de saúde  que venham a atuar na área assistencial a pessoas idosas. (17)

 Para as autoras , as propostas de uma formação de base interdisciplinar, enfrentam desafios referentes à fragmentação  histórica  dos diversos saberes, à hierarquia institucional  e às defesas corporativas das categorias profissionais.

Dessa forma, teríamos minimamente dois desafios a superar: a necessidade  de políticas claras e efetivas de incentivo à formação profissional nesta área, e  a premência de uma mudança paradigmática da atenção em saúde  que contemple  a abordagem  integrada e interdisciplinar.

 

 

***

 

Retratos de uma realidade

Segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, SBGG, o Brasil oferecia em 2009  60 vagas de residência médica na especialidade de Geriatria, com  um expressivo  predomínio de oferta na região Sul do país. ( 68 )

Em 2011 havia no Brasil  969 médicos com título de especialista na área de Geriatria ,  e  234 profissionais com titulação de especialista na área de Gerontologia. O número total de profissionais associados à SBGG era de 2536, o que expressa indiretamente um quantitativo de profissionais interessados na área, mas não afasta a possibilidade  de que haja  um universo maior de profissionais envolvidos com uma assistência mais direcionada à saúde das pessoas idosas.

Perante uma população de 60 anos e mais que ronda os 17 milhões atualmente no país,  e utilizando  como dado o nº de associados da SBGG , podemos supor que a relação profissional / idoso  em geral esteja  próxima de 1 / 6.700 , enquanto a relação de geriatras titulados / idoso  é de 1 / 17.500,  a de  fisioterapeutas titulados é de 1 / 122.000 e a de  enfermeiros se aproxima de
1/ 184.000 idosos.

Nas palavras de  Edward MF Leung , as duas últimas décadas tem se caracterizado por uma maior instabilidade de carreira dos profissionais de saúde de um modo geral , assim como, por  reduções  salariais que  acabam por  dificultar a atração de estudantes e profissionais por esta área.  Estaria havendo um processo de retração da disponibilidade de mão de obra na área da saúde, e este fenômeno seria ainda mais  expressivo  no campo da assistência à saúde das pessoas idosas. Apesar do autor  estar se referindo à uma realidade observada em Hong Kong, o fenômeno tem sido descrito de maneira semelhante por autores envolvidos com outras realidades ao redor do mundo. (64)

 

Uma visão semelhante é apresentada por Irene M.Hamrick, quando se refere à realidade da Carolina do Norte  nos Estados Unidos da América, prevendo um futuro sombrio quanto à disponibilidade de profissionais para atuação no campo geriátrico. (34)

 

Na visão da autora, as questões referentes à uma baixa remuneração  perante uma necessidade de intervenção em situações de alta complexidade gerontológica , estariam no epicentro da crise de oferta de profissionais para o setor.

 

A autora defende uma reestruturação da oferta de serviços , que leve em consideração tanto a formação e a retenção de profissionais qualificados, quanto  a necessidade de reorientação dos próprios modelos assistenciais.

 

Já para a população idosa atendida em Instituições de Longa Permanência, a crise na área de recursos humanos qualificados  se mostra ainda mais severa, sendo retratada através de uma metáfora peculiar  em um artigo escrito por duas autoras australianas. Segundo  Maria Crotty e Julie Ratcliffe , os idosos institucionalizados representam uma “tribo perdida” dentro do universo assistencial, que dentre outros motivos, se relaciona  à existência de uma circunstância de desincentivo para o interesse profissional por este segmento. ( 08 )

 

Com esta preocupação em foco, após um workshop realizado em 2010 na cidade de Toulouse -França, representantes da IAGG, OMS e Sociedade Francesa de Gerontologia e Geriatria, propuseram a criação de uma força-tarefa internacional que, dentre outras diretrizes, se propõe a promover estratégias de nível mundial para a qualificação profissional nos Serviços de Longa Permanência. (70)

 

 

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Recursos Humanos: Quantos, e em Quaaaaanto Tempo?

Finalizando esta matéria, sugerimos  uma visita  à dissertação de Mestrado  em Estudos Gerontológicos de Leanne June Clark , publicada em 2004  pela Universidade de Miami, sob este título interessante: “STRONG  MINDS, GENTLE  HANDS: TRAINING THE NEXT GENERATION OF “GERONTOLOGICAL PHYSICIANS”. (71)

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Oferta de Formación de Recursos Humanos em Geriatria y Gerontologia

 

 

Dr. José Francisco Parodi García
País – Perú

Profesor de Geriatría en pre y postgrado en la Facultad de Medicina de la Universidad de San Martín de Porres. Director del Centro de Investigación del Envejecimiento (CIEN) de la Universidad de San Martín de Porres.

Graduado y miembro activo del Comité Ejecutivo de la Academia Latinoamericana de Medicina del Adulto Mayor (ALMA).

 

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Links Sobre o autor

A- La atención primaria de salud como estrategia para el bienestar de las personas mayores
B- I FORO NACIONAL SOBRE ENSEÑANZA DE GERIATRÍA Y GERONTOLOGÍA EN EL PERÚ
C- INSTITUTO DE INVESTIGACION – CENTRO DE INVESTIGACIÓN DEL ENVEJECIMIENTO (CIEN)
D- Bamboo Servicios Especializados para el Adulto Mayor
E- Bamboo Senior – Alzheimer: El papel del cuidador (7 Vidas, PlusTV)

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Links Externos Relacionados

01-Profesores de geriatría: ¡se buscan!
02- ESTRATEGIA PEDAGÓGICA DE CAPACITACIÓN PARA MÉDICOS DE ATENCIÓN PRIMARIA EM MEDICINA DEL ADULTOS MAYOR
03- Propuesta de contenidos mínimos para los programas docentes de pregrado en Medicina Geriátrica en América Latina
04- Necesidades de Especialistas en Geriatría y Gerontología para la Caja 
05- La Academia Latinoamericana de Medicina del Adulto Mayor (ALMA) se ha presentado en Madrid para impulsar la investigación en la atención sanitaria a ancianos. 
06- LA ENSEÑANZA DE LA GERIATRÍA EN MÉXICO
07- Geriatric education for the physicians of tomorrow 
08- If Mohammed won’t come to the mountain, the mountain must go to Mohammed 
09- Treinamento Interdisciplinar em Saúde do Idoso: um modelo de programa adaptado às especificidades do envelhecimento
10- Geriatria, uma especialidade centenária
11- Global Survey on Geriatrics in the Medical Curriculum – A collaborative study of WHO and the International Federation of Medical Students’ Associations 
12-Keeping granny safe on July 1: a consensus on minimum geriatrics competencies for graduating medical students. 
13- Are we teaching our students what they need to know about ageing? Results from the UK National Survey of Undergraduate Teaching in Ageing and Geriatric Medicine 
14- Taiwanese Medical and Nursing Student Interest Levels in and Attitudes Towards Geriatrics 
15-How “Geriatric” is Care Provided by Fellowship-Trained Geriatricians Compared to that of Generalists? 
16- Will undergraduate geriatric medicine survive? 
17- Novas competências profissionais em saúde e o envelhecimento populacional brasileiro: integralidade, interdisciplinaridade e intersetorialidade 
18- The Geriatrics Imperative: Meeting the Need for Physicians Trained in Geriatric Medicine 
19- Geriatrics: In Our Residents’ Future Whether They Know It and Like It or Not 
20- Formador de formador: características educacionais e profissionais de acadêmicos que ensinam na formação continuada stricto sensu em Gerontologia no Brasil
21- Estudo da necessidade de Médicos Especialistas no Brasil
22- Formação de recursos humanos na área da saúde do idoso
23- O ser que envelhece: técnica, ciência e saber
24- PROFISSIONALIZAÇÃO EM GERONTOLOGIA
25- A velhice, entre o normal e o patológico
26- Envejecimiento y campo de la edad:  elementos sobre la pertinencia del conocimiento gerontológico 
27-ANTECEDENTES Y REFLEXIONES SOBRE LA GERONTOLOGIA EN LA ARGENTINA
28- LA POST- GERONTOLOGÍA: HACIA UN RENOVADO ESTUDIO DE LA GERONTOLOGÍA 
29- Modelo pedagógico innovador para la enseñanza de la Gerontología en Enfermería 
30- O ensino da Enfermagem Gerontogeriatrica e a complexidade 
31- Graduação em Gerontologia: formação de gerontólogos para o enfrentamento dos desafios do envelhecimento humano, na pesquisa, docência e gestão técnicoprofissional 
33- The Donald W. Reynolds Foundation and the John A. Hartford Foundation The Status of Geriatrics Workforce Study. GRANTEE’S FINAL PROGRESS REPORT SUMMARY 
34- Providing Health Care to Aging North Carolinians: Educational Initiatives in Geriatrics 
35-  Who cares for older adults? Workforce implications of an aging society. 
36- A Modest Proposition to align Geriatrics and Long Term Care Medicine 
37-A formação de profissionais para a atenção integral à saúde do idoso: a experiência interdisciplinar do NAI – UNATI/UERJ.
38- Medical Never-Never Land. Ten  Reasons Why America is Not Ready for the Coming Age Boom
39- Trends in Demand for New Physicians, 2005 – 2010. A Summary of Demand Indicators for 35 Physician Specialties.
40- La atención primaria de salud como estrategia para el bienestar de las personas mayores
41-  LA INICIATIVA DE LA ACADEMIA LATINOAMERICANA DE MEDICINA DEL ADULTO MAYOR
42- La Academia Latinoamericana de Medicina del Adulto Mayor (ALMA) se ha presentado en Madrid para impulsar la investigación en la atención sanitaria a ancianos.
43- A janela demográfica, crescimento econômico e as políticas de saúde e proteção social
44-O rápido processo de envelhecimento populacional do Brasil: sérios desafios para as políticas públicas 
45- A transição demográfica e a janela de oportunidade
46- Guía de Capacitación de Trabajo en Equipo Interdisciplinario, Coordinación y Continuidad de Cuidados en las Personas Adultas Mayores Rurales 
47- Help Age International 
48- INSTITUTO DE INVESTIGACION  – CENTRO DE INVESTIGACIÓN DEL ENVEJECIMIENTO (CIEN)
49- Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world
50- Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world
51- European Academy for Medicine of Ageing: a new network for geriatricians in Europe
52- La salud de las personas adultas mayores en Costa Rica
53- Ley integral para la persona adulta mayor Nº 7935 (Costa Rica)
54- THE MIDDLE-EAST ACADEMY FOR MEDICINE OF AGEING
55 – Wanted: Teachers of geriatrics — A national initiative is needed to train all doctors in the care of older patients.(Brief Article)
56-Geriatrics Education in Psychiatric Residencies: A National Survey of Program Directors
57- Perceived Needs for Geriatric Education by Medical Students, Internal Medicine Residents and Faculty
58-The Educational Challenge of Dental Geriatrics
59- ADULTOS MAYORES:  Competencias Recomendadas y Guía Curricular para EL CUIDADO DE ENFERMERIA GERIATRICO en el Programa de Licenciatura (Baccalaureate)
60- FORMAÇÃO HUMANA EM GERIATRIA E GERONTOLOGIA: UMA PERSPECTIVA INTERDISCIPLINAR
61- ENSINO DE GERONTOLOGIA E GERIATRIA: UMA NECESSIDADE PARA OS ACADÊMICOS DA ÁREA DE SAÚDE DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO?
62- Workforce Training – Eldercare Workforce Alliance
63- EDUCATION & TRAINING: MEETING THE NEEDS OF OLDER ADULTS
64- Health Care Professionals in the Ageing Era
65- Bridging the workforce gap for our aging society: how to increase and improve knowledge and training. Report of an expert panel.
66-Strategic approaches to the development of Australia’s future primary care workforce
67- Issues facing the future health care workforce: the importance of demand modelling
68- SBGG – Formação Profissional em Geriatria e Gerontologia – Cursos Cadastrados 2010
69- À Secretaria de Ensino Superior – SESU /MEC.
70-International Association of Gerontology and Geriatrics: A Global Agenda for Clinical Research and Quality of Care in Nursing Homes
71- STRONG MINDS, GENTLE HANDS: TRAINING THE NEXT GENERATION OF
“GERONTOLOGICAL PHYSICIANS”

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Post  5543-030715

 

 

Os cuidados de longo prazo de qualidade à pessoa idosa dependente são considerados um direito social e devem ser compartilhados entre o Estado, o setor privado e a sociedade.

Esta é uma das principais mensagens trazidas por uma publicação de 2014 promovida pelas Nações Unidas e assinada pelas pesquisadoras argentinas Silvia Gascón e Nélida Redondo, na qual são abordados dentre outros aspectos mais gerais, algumas questões referentes ao uso dos meios de contenção sejam eles de ordem física farmacológica ou ambiental. 

Trata-se de um documento importante, porque traz para o contexto atual da América Latina uma discussão que há vários anos tem sido objeto de estudos e de desenvolvimento de políticas de bem estar social nos países em situação de maior desenvolvimento social e econômico.

Ao se falar em “Qualidade” é preciso considerar questões referentes à qualidade dos serviços no que se refere aos aspectos de gestão e organização, à qualidade da assistência que está diretamente relacionada à prestação propriamente dita dos serviços e aos resultados obtidos e à percepção de “qualidade” por parte dos usuários, que em última análise se vincula à percepção subjetiva de qualidade de vida.

Um dos aspectos abordados pelas autoras se refere ao seguinte: quais são os indicadores que devem ser utilizados para se mensurar esta “qualidade”?

Outra questão relevante tratada neste texto coloca em discussão a tendência conservadora e “romântica” de se priorizar a chamada “visão familiarista do cuidado”. Embora seja um consenso de que a melhor opção para a pessoa dependente sempre será a do cuidado prestado no seio da comunidade e no seio familiar, a complexidade deste cuidado e a conformação familiar concreta da pós-modernidade, implicam na necessidade premente de existência de uma rede diversificada e bem coordenada de serviços, muitas vezes altamente especializados, que prestem o suporte mais adequado a cada realidade particular.

Alguns pressupostos básicos para estas reflexões são os seguintes: o cuidado de longo prazo é um direito da pessoa idosa; o cuidado de longo prazo deve estar vinculado a uma política pública; a qualidade deste cuidado deve estar fundamentada no conhecimento técnico-científico baseado nas evidências da atualidade e na mensuração dos resultados obtidos; este cuidado deve respeitar os direitos, os desejos, o protagonismo e as singularidades da pessoa idosa.

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5543-030715

Calidad de los servicios de largo plazo para personas adultas mayores con dependência.

Silvia Gascón; Nélida Redondo. Naciones Unidas, agosto de 2014

http://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/36948/S1420237_es.pdf?sequence=1

 

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Copiamos a seguir alguns trechos do texto original.

 

“....Desde la declaración de los Principios de las Naciones Unidas en favor de las Personas de Edad del año 1991, y en vigor a partir de la declaración política del Plan de Acción Internacional de Madrid sobre Envejecimiento del año 2002, el tratamiento de los derechos de las personas mayores en políticas y programas ha sufrido un cambio paradigmático (Huenchuan y Morlachetti, 2007; Flores-Castillo, 2013). En la actualidad, el denominado enfoque de derechos, tal como fue acreditado por la Organización de las Naciones Unidas en la declaración política del Plan de Acción Internacional sobre el Envejecimiento de Madrid, 2002, proporciona una perspectiva conceptual y metodológica para la innovación de las políticas públicas dirigidas a las personas mayores....”

“...En un reciente documento de la Organización Panamericana de la Salud (OPS) sobre políticas para la región, se enfatizó la necesidad de encarar programas específicamente dirigidos a la atención de las enfermedades crónicas no transmisibles en los países de América Latina (OPS, 2012). Por su parte, la Declaración de Brasilia, surgida de la Segunda Conferencia Regional Intergubernamental sobre Envejecimiento en América Latina y el Caribe: hacia una sociedad para todas las edades y de protección social basada en derechos, propone “la realización de intervenciones en la prevención y atención para mejorar el acceso a los servicios de tratamiento, cuidado, rehabilitación y apoyo a las personas de edad con discapacidad” (CEPAL, 2011, pág.7). Asimismo, estudios recientes advierten que la emergencia de nuevos escenarios demográficos y epidemiológicos genera tensiones y conflictos en el orden tradicional de los sistemas “familistas” de protección social de los países de la región (CEPAL, 2013; Espejo, Filgueira y Rico, 2010; Sunkel, 2006; Esping-Andersen, 2002). Por una parte, los gastos erogables y no erogables causados por la atención a la dependencia durante períodos prolongados de tiempo resultan catastróficos para muchas familias; de otro punto de vista, la falta de recursos materiales de las familias constituye una amenaza para la calidad de vida de las personas con dependencia y es un factor determinante de omisión de cuidados y atención adecuados, agudizando las desigualdades sociales ya existentes en la región...”

“...En este contexto resulta necesario estudiar alternativas aptas que permitan ampliar solidariamente las bases de sustento para el apoyo a las personas con dependencia, trasladando al Estado, a la sociedad y al mercado parte de la carga que en la actualidad recae exclusivamente sobre las familias latinoamericanas...”

“...A partir de la Segunda Asamblea Mundial sobre el Envejecimiento del año 2002 se transmite a los Estados suscriptores la necesidad de ampliar la oferta de servicios continuos, tanto de base comunitaria (incluido el domicilio) como institucionales, entre los que las personas mayores con discapacidad o dependencia puedan elegir según sus preferencias, estilos de vida y necesidades de atención. Los objetivos de estos programas deben, en todos los casos, mantener una capacidad funcional máxima durante toda la vida y promover su participación plena en la sociedad....”

“...l Plan Internacional de Acción destaca, expresamente, la necesidad de establecer normas y mecanismos para garantizar la calidad de la asistencia formal. Las conclusiones de una investigación llevada a cabo por la OCDE en diecinueve países que llevaron a cabo reformas importantes en sus sistemas de atención para la dependencia señalan que la calidad de los servicios de largo plazo varía ampliamente entre países y al interior de cada país (OCDE, 2005). Por este motivo, no siempre la calidad de los servicios ofrecidos satisface las expectativas del público, los usuarios y sus familias. Son múltiples los ejemplos, pero las mayores quejas se concentran en la falta de adecuación de las viviendas, la pérdida de las relaciones sociales y la falta de privacidad en las instituciones de larga estadía. Otras deficiencias observadas con frecuencia son el inadecuado tratamiento del dolor crónico y la depresión, de las escaras, o el uso no apropiado de restricciones físicas y químicas ...”

“...Los servicios de largo plazo para las personas mayores con dependencia que se diseñan tomando en consideración el enfoque de derechos están centrados en las personas. Los servicios centrados en los usuarios implican un cambio de paradigma desde los servicios organizados por profesionales o prestadores a otros que reconocen e incorporan las perspectivas individuales de los pacientes y se dirigen a facilitar el pleno ejercicio de sus derechos...”

 

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As propostas para o desenvolvimento de Modelos de Cuidados de Longo Prazo têm algumas semelhanças organizacionais e logísticas com as propostas referentes aos Modelos para as “Condições Crônicas”.

Entretanto a ótica dos cuidados de longo prazo não se fundamenta a partir dos diagnósticos clínicos de determinadas condições crônicas de maior prevalência, fazendo o seu recorte de elegibilidade em função da funcionalidade e do nível de “dependência” dos indivíduos. Parte, portanto, da condição de “não autosuficiência” do indivíduo, colocando este subgrupo no ápice de uma pirâmide que considera a complexidade das intervenções dentro de um sistema de atenção que seja necessàriamente de caráter sócio-sanitário. Internacionalmente mais de 80% desta modalidade assistencial é utilizadaelas pessoas mais idosas da população.

Dentro desta lógica, o grupo populacional que está situado ao ápice desta pirâmide necessita uma abordagem profissionalizada, multimodal e altamente coordenada, sendo relacionado desta forma a um processo de  “Gestão de Alta Complexidade”.

 

Fonte da imagem:

NHS, Greater Glasgow and Clyde, UK.

Strategic Framework for the Management of Long Term Conditions Delivering Change to 2015 (03)

http://www.nhsggc.org.uk/media/231478/nhsggc_ltc_strategic_framework.pdf

 

 

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Através da colocação deste tema em discussão,

estaremos deixando para os visitantes do nosso site uma questão bem reflexiva no ar:

 

o desinteresse do Estado Brasileiro pelas questões que se relacionam

à implementação de uma política consistente de cuidados de longo prazo

para as pessoas idosas que se encontram em situação de dependência

pode ser considerado uma “violência institucional”?

 

 

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Links Externos Relacionados

 

 

01-The Human Rights of Older People in Healthcare

http://www.publications.parliament.uk/pa/jt200607/jtselect/jtrights/156/156i.pdf

 

02-Long-Term Care for the elderly Provisions and providers in 33 European countries

http://ec.europa.eu/justice/gender-equality/files/elderly_care_en.pdf

 

03-Strategic Framework for the Management of Long Term Conditions Delivering Change to 2015

http://www.nhsggc.org.uk/media/231478/nhsggc_ltc_strategic_framework.pdf

 

04- Marco Europeo de Calidad de los servicios de atención a largo plazo. Principios y directrices para el bienestar y la dignidad de las personas mayores que necesitan atención y asistencia

http://wedo.tttp.eu/system/files/DOCUMENT%20WEDO%2014.1.13_ES.pdf

 

05- Delivering better services for people with long-term conditions Building the house of care

http://www.kingsfund.org.uk/sites/files/kf/field/field_publication_file/delivering-better-services-for-people-with-long-term-conditions.pdf

 

06- MODELS OF CARE FOR ELDERLY PEOPLE WITH COMPLEX CARE NEEDS ARISING FROM ALCOHOL RELATED DEMENTIA AND BRAIN INJURY

http://esvc000622.wic052u.server-web.com/files/Wntr.MoC.1.7.pdf

 

07-Co-ordinated care for people with complex chronic conditions.

http://www.wedo-partnership.eu/sites/wedo.tttp.eu/files/co-ordinated-care-for-people-with-complex-chronic-conditions-kingsfund-oct13.pdf

 

08-“The Marginalization of Long-Term Care in Canadian Federal Policy Making”

http://www.queensu.ca/sps/qpr/issues/vol3issue3/twomey.pdf

 

09-Facts and Figures on Healthy Ageing and Long-term Care. Europe and North America http://www.euro.centre.org/data/LTC_Final.pdf

 

10-Providing integrated care for older people with complex needs Lessons from seven international case studies

http://www.kingsfund.org.uk/sites/files/kf/field/field_publication_file/providing-integrated-care-for-older-people-with-complex-needs-kingsfund-jan14.pdf

 

11-QUALITY ASSURANCE POLICIES AND INDICATORS FOR LONG-TERM CARE IN THE EUROPEAN UNION COUNTRY REPORT: ITALY

http://www.ancien-longtermcare.eu/sites/default/files/RRNo102%20_ANCIEN_byCasanovaQualityAssurancePoliciesItaly.pdf

 

12-LA PRESA IN CARICO DEGLI ANZIANI NON AUTOSUFFICIENTI

http://www.infanzia-adolescenza.marche.it/Portals/0/2-Attivit%C3%A0/integrazione_socio-sanitaria/Quaderno_Monitor_10%20non%20autosufficienza.pdf

 

13-Criteri di appropriatezza clinica, tecnologica e strutturale nell’assistenza all’anziano.

http://www.quadernidellasalute.it/download/download/6-novembre-dicembre-2010-quaderno.pdf

 

14-CONSULTA DE OPINIÓN SOBRE LAS POLÍTICAS DE CUIDADO DE PERSONAS DEPENDIENTES EN AMÉRICA LATINA: Niñas y niños, personas ancianas, personas con discapacidad y personas con enfermedades crónicas Diagnóstico, políticas a implementar y perspectivas según líderes de América Latina

http://www.cepal.org/oig/noticias/noticias/1/47401/OIG_Cosulta_de_opinion_final.pdf

 

 

15-Los servicios integrales para las personas mayores dependientes UN desafío para el sistema sociosanitario argentino

http://www.vocesenelfenix.com/sites/default/files/pdf/12.pdf

 

16-La construcción del sistema de cuidados en el Uruguay En busca de consensos para una protección social más igualitaria

http://repositorio.cepal.org/bitstream/handle/11362/36721/S2014269_es.pdf?sequence=1

 

17-Programas y Servicios para el Cuidado de las Personas Adultas Mayores dependientes. Primera parte: Revisión conceptual para la caracterización de los sistemas de protección

http://www.bps.gub.uy/innovaportal/file/1478/1/programa_y_servicios_para_el_cuidado_de_las_personas_mayores._l._pugliese.pdf

 

18-Costo de un sistema de atención de adultos mayores dependientes en Chile, 2012–2020

http://www.scielosp.org/pdf/rpsp/v36n1/05.pdf

 

19-Cuidados de longa duração para a população idosa : um novo risco social a ser assumido? http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livro_cuidados.pdf 

 

20-Experiências e tendências internacionais de modelos de cuidado para com o idoso

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232012000100025

 

21-Políticas públicas para pessoas idosas no Brasil: uma revisão integrativa

http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt&pid=S1413-81232013002000011

 

22-A construção das políticas públicas nos espaços democráticos de participação cidadã: a violência contra pessoas idosas na agenda do movimento social

http://www.scielo.br/pdf/csc/v15n6/a03v15n6.pdf

 

 

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5963-030615 

A geração que irá cuidar do grande contingente de pessoas idosas em situação de fragilidade ou dependência prevista para os próximos anos no Brasil e na America Latina, já nasceu, já está em processo de formação profissional ou já está inserida no mercado de trabalho

Ao discutir a necessidade de busca de um conceito definitivo ou minimamente consensual para a “Síndrome de Fragilidade no Idoso” o professor canadense Howard Bergman, um líder na área de pesquisas internacionais sobre a fragilidade e presidente da Sociedade Canadense de Geriatria, citou a frase emblemática de um colega: “… Fragilidade é como pornografia: os clínicos não conseguem defini-la, mas a reconhecem assim que a vêem!…”

Pessoas idosas que apresentam transtornos demenciais esbarram frequentemente em barreiras relacionadas à falta de oportunidades. Ambientes pobres em estímulo dificultam a expressão e o desenvolvimento das capacidades e habilidades residuais, propiciando dessa forma, a instalação progressiva de incapacidades acessórias. Ampliar  as oportunidades para o convívio social e o desenvolvimento pessoal, é uma das propostas centrais da organização Israelense “Melabev”.

Dos conceitos sobre a velhice através do tempo e das culturas à construção de conceitos sobre o que sejam a saúde e a doença na velhice, passamos por certezas temporárias e verdades relativas. Trazemos esse tema ao debate neste post, abrindo a matéria com um texto de Elizabeth Uchôa: “Contribuições da antropologia para uma abordagem das questões relativas à saúde do idoso”.

 

Capacidad para tomar decisiones durante la evolución de una demencia: reflexiones, derechos y propuestas de evaluación.

 
Quais os elementos necessários ao ser humano para que possa tomar uma decisão adequada em sua vida, seja ela banal e cotidiana ou de alta relevância para o direcionamento do seu próprio destino?
Como caracterizar possíveis limites para que um indivíduo com transtorno cognitivo possa de fato exercer a sua autonomia?
Quem e sob quais circunstâncias pode questionar a capacidade de tomar decisão de outrem sem perpassar seus direitos e sua dignidade?
Essas e outras questões são apresentadas nesta obra sob uma ótica que leva em consideração tanto aspectos éticos e legais de ordem mais teórica quanto os elementos advindos da prática assistencial em mundo real.
Esta é a segunda versão do “Documento Sitges” desenvolvida interdisciplinarmente com a colaboração de profissionais de diversas áreas, pacientes e familiares.
A publicação foi apresentada em Novembro de 2008 durante a XL Reunião Anual da Sociedade Espanhola de Neurologia.
Um comentário divulgado sobre esta obra refere que um dos propósitos estabelecidos pelos autores no desenvolvimento do projeto foi o da defesa de “uma medicina baseada em valores”.
 
 
 
 
 
 
Leia a entrevista com a Neurologista Mercè Boada, de Barcelona, uma das idealizadoras deste livro

 

 

 

 

 

Fonte: http://www.familialzheimer.org/media/libros/documento_sitges_2009/documento_sitges_2009.pdf

 

 

 

 

Links externos relacionados:
01- La neuróloga Mercé Boada presenta en Toledo el Documento Sitges para regular la incapacitación por demencia
02- Doctora Mercè Boada Rovira
03- DOCUMENTO SITGES 2009
04- Fundación AlzheimUr [Región de Murcia]
05- Presentación del libro: “Documento Sitges 2009
06- Pepa Poch, artist and colour creator
07- La pintura colorista i emotiva de Pepa Poch al Museu Diocesà
 

Pesquisadores do departamento de Qualidade de Vida e Envelhecimento da Universidade de Granada (UGR) acreditam que sim.

 A equipe de especialistas em Psicogerontologia Social coordenada por Ramona Rubio Herrera desenvolveu a Escala de Soledad Social Este II, um instrumento para  mensurar a solidão social dos idosos que permite uma avaliação da experiência subjetiva dos indivíduos face as mudanças sociais, a era  digital e a adaptação às novas tecnologias, dentre outros aspectos.

 

 A pesquisa de campo detectou a presença de solidão social em 23% dos idosos avaliados.

 

 

 

 

2043-061114

Através deste documentário produzido pela BBC em 2006 é possível refletir sobre algumas questões significativas que envolvem a “demência” por doença de Alzheimer e a “pessoa” que vivencia um processo demencial. Como pode ser possível sobreviver dignamente em meio a uma sociedade que se representa e se reconhece a partir de um modelo “hipercognitivo”?

JoomShaper